
Divulgaçao CRAC
Aos 95 anos, clube inicia participação inédita em três categorias de base, amplia projeto de formação e busca transformar pertencimento, tecnologia e valorização de talentos em pilares para enfrentar os novos desafios do futebol do interior.
O CRAC inicia nesta segunda-feira (24) um novo capítulo de uma história construída ao longo de 95 anos por diferentes gerações de dirigentes, atletas, funcionários, parceiros e torcedores. Com a estreia do Sub-17 na Série C do Campeonato Goiano, o clube passa a disputar, pela primeira vez, três categorias oficiais de base simultaneamente: Sub-13, Sub-15 e Sub-17.
A iniciativa não é apresentada pela atual diretoria como uma ruptura com o passado, mas como uma evolução necessária diante de uma realidade que mudou profundamente no futebol brasileiro, especialmente para os clubes do interior.
Ao longo de quase um século, diferentes gestões enfrentaram os desafios de suas épocas e contribuíram para manter o CRAC vivo, competitivo e identificado com Catalão. É sobre esse patrimônio esportivo e afetivo que a atual administração pretende construir uma nova etapa, agora com atenção especial à formação de atletas, sustentabilidade financeira e aproximação ainda maior com a comunidade.
Para o presidente Thadeu Aguiar, reconhecer esse legado é essencial.
“O CRAC não começou conosco. Tudo o que conseguimos fazer hoje existe porque muitas pessoas, ao longo de 95 anos, dedicaram tempo, recursos, trabalho e paixão a esse clube. Cada gestão enfrentou a realidade de seu tempo e deixou sua contribuição. Temos respeito e gratidão por todos que nos antecederam. Nossa responsabilidade agora é receber esse patrimônio, cuidar dele e tentar prepará-lo para os desafios atuais e para quem vier depois de nós.”
Uma nova realidade para os clubes do interior
O cenário atual impõe dificuldades cada vez maiores aos clubes tradicionais fora dos grandes centros. Calendários reduzidos, custos crescentes para manutenção do futebol profissional, dificuldade na geração de receitas permanentes e passivos trabalhistas e fiscais são problemas enfrentados por inúmeras instituições históricas do futebol brasileiro.
Nesse contexto, a avaliação da diretoria é que o CRAC precisa gradativamente diminuir a dependência de modelos baseados exclusivamente na montagem de equipes profissionais para competições específicas.
E uma das alternativas está justamente naquilo que Catalão e toda a região podem oferecer: seus próprios talentos.
A base passa, assim, a ocupar uma posição estratégica. Além da possibilidade de revelar jogadores para a equipe profissional e formar ativos esportivos capazes de gerar receitas futuras, o projeto pretende reconstruir um vínculo que nasce muito antes do futebol profissional.
Quando uma criança veste a camisa do CRAC, o clube passa a fazer parte também da vida de seus pais, irmãos, avós, amigos e de toda uma rede de pessoas ao seu redor.
É esse sentimento de pertencimento que a diretoria pretende estimular.
“Precisamos voltar a fazer nossas crianças sonharem em vestir a camisa do CRAC. Quando um pai ou um avô vê seu filho ou seu neto entrando em campo pelo clube da sua cidade, nasce uma relação que vai muito além do resultado de uma partida. Existe orgulho, paixão e identidade. E acreditamos que isso pode aproximar novamente toda a comunidade do clube”, afirma Thadeu Aguiar.
Projeto começa com Sub-13, Sub-15 e Sub-17
Em 2026, o CRAC disputará a Série C do Campeonato Goiano nas três categorias, buscando a habilitação para disputar a Série B em 2027.
O planejamento prevê crescimento progressivo.
Em 2027, a intenção é manter e fortalecer as três equipes atuais e iniciar também o Sub-11, futebol feminino e Master. Para 2028, o clube projeta a implantação do Sub-20, criando uma sequência de formação capaz de aproximar os jovens atletas do elenco profissional.
O projeto deverá começar ainda mais cedo. A diretoria trabalha para estruturar uma escolinha de iniciação esportiva desde a categoria baby até os 10 anos, criando uma porta de entrada para crianças de Catalão e região.
A meta é chegar a 2028 envolvendo aproximadamente 700 a 1.000 crianças e jovens nas diferentes categorias e modalidades.
Mais do que quantidade, entretanto, o desafio será construir novamente a confiança e credibilidade da sociedade regional, atraindo investimentos e apoios permanentes ao Clube.
O clube entende que somente conseguirá atingir essa dimensão se as famílias reconhecerem no CRAC um ambiente sério, organizado e seguro para seus filhos, se os jovens enxergarem uma perspectiva real de desenvolvimento e se empresas e instituições perceberem transparência e continuidade no projeto.
A intenção é que a credibilidade seja construída gradualmente, a partir da execução e dos resultados.
CRACTV será vitrine para os jovens atletas em Goiás: a primeira iniciativa do tipo no Brasil.
Uma das principais inovações estará na utilização da CRACTV, plataforma digital implantada pela atual gestão, como instrumento diretamente integrado ao projeto de formação.
A proposta é transmitir os jogos das categorias de base do CRAC, iniciativa ainda pouco comum com essa abrangência entre clubes do interior brasileiro.
Com mais de 4 milhões de acessos acumulados e registros de partidas superando 50 mil visualizações simultâneas, segundo dados do clube, a CRACTV passa a cumprir uma função que vai além da comunicação institucional.
A plataforma deverá funcionar como uma verdadeira vitrine digital dos jovens atletas.
Pais e familiares poderão acompanhar as partidas, inclusive fora de Catalão; torcedores conhecerão os novos talentos; profissionais e observadores do futebol terão acesso aos jogos; e os próprios atletas ganharão exposição em uma fase decisiva de sua formação.
A estratégia também amplia a capacidade de entrega comercial aos patrocinadores e apoiadores das categorias de base, permitindo que as marcas parceiras sejam apresentadas dentro de um ambiente digital que já alcança milhares de pessoas.
“A CRACTV representa bem aquilo que estamos tentando construir: formação, tecnologia, comunicação e sustentabilidade trabalhando juntas. Queremos dar visibilidade aos nossos atletas e, ao mesmo tempo, entregar valor para quem acreditar e investir nesse projeto”, destaca o presidente.
CRAC Cup aproximará projetos de Catalão e região
Outro movimento previsto para os próximos meses será a realização da CRAC Cup, competição voltada ao futebol infantil e que pretende reunir escolinhas e projetos de iniciação esportiva de Catalão e municípios da região.
Mais do que promover uma competição, o objetivo é aproximar essas iniciativas do CRAC e criar uma rede regional de formação, enxergando no CRAC a ponte ideal para revelar o seu talento.
A ideia é que o clube esteja presente desde os primeiros contatos da criança com o futebol, fortalecendo sua identidade regional e criando oportunidades para que novos talentos possam ser observados e desenvolvidos.
Apesar de a iniciativa estar sendo estruturada pela atual administração, a diretoria defende que sua consolidação dependerá justamente de deixar de ser um projeto de uma gestão, para ser de Clube, de história, de pertencimento.
O objetivo é criar processos, categorias, competições e fontes de relacionamento que possam permanecer no clube independentemente de quem esteja na presidência.
“Não queremos construir um projeto para uma diretoria. Queremos ajudar a construir algo que seja do CRAC. Amanhã outros dirigentes estarão aqui e esperamos que possam receber uma estrutura com planejamento e direção permanente, aperfeiçoá-la e fazê-la crescer ainda mais, assim como nós recebemos um clube que só chegou aos 95 anos porque muitas pessoas cuidaram dele antes de nós”, afirma Thadeu Aguiar.
Para transformar o planejamento em uma estrutura permanente, o CRAC também busca ampliar sua rede de parceiros, patrocinadores, empresários, instituições e apoiadores.
A diretoria entende que a sustentabilidade de um projeto dessa dimensão dependerá da participação da sociedade e, principalmente, da confiança construída entre clube, famílias, empresas e comunidade.
O desafio é grande. Mas também representa uma oportunidade para que o CRAC transforme uma de suas maiores forças — a identificação com Catalão e com o Sudeste Goiano — em parte da solução para os problemas que historicamente afetam os clubes do interior.
A estreia do Sub-17 nesta segunda-feira, portanto, vale mais do que três pontos.
É o início de uma tentativa de aproximar novamente o menino que sonha em jogar futebol, a família que deseja vê-lo vestindo a camisa de sua cidade, o torcedor que procura novos ídolos, a empresa que quer participar de um projeto confiável e um clube que busca construir novas formas de sustentabilidade.
Aos 95 anos, o CRAC olha para o futuro sem negar o passado. Ao contrário: procura fazer da história construída por tantas gerações o ponto de partida para um novo ciclo.
Porque, para o Leão do Sul, preparar os próximos 95 anos pode começar justamente pela formação da próxima geração.






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